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24 de outubro de 2017

Beta Caseína A1A2

A Faculdade Penn State lançou um curso livre online na Primavera passada. O curso incluiu uma secção de genética. O tema que surgiu com mais frequência no fórum de discussão desta secção referiu-se ao leite A2, um tema que merece, certamente, discussão.
Para aqueles que não estão familiarizados com a temática do leite A2 fica uma pequena introdução: a beta caseína constitui aproximadamente um quarto das proteínas do leite, existindo várias versões do gene que a codifica. A beta-caseína do tipo A1 é a mais comum na constituição do leite sendo composta por uma cadeia de 224 aminoácidos e tem um aminoácido diferente da beta-caseína do tipo A2.


Debate aceso

A controvérsia que rodeia o debate A1 vs A2 tem a ver com a sua digestibilidade sendo que a comunidade científica não estar totalmente de acordo quanto aos efeitos na saúde de beber leite com um ou outro tipo. Inicialmente foi sugerido que o consumo de leite A1 poderia aumentar a probabilidade de desenvolvimento de diabetes, porém estudos mais aprofundados e controlados não apoiaram essa hipótese.

No entanto, surgem agora estudos mais recentes que merecem atenção. Recorrendo a testes em ratinhos foi possível verificar que havia realmente diferença a nível de inflamação intestinal: o grau de inflamação era maior em ratos que tinham consumido leite A1. Da mesma forma, testes em humanos revelaram níveis mais elevados de desconforto gastrointestinal em participantes que consumiram leite A1. De realçar que a prova era cega e, portanto, os participantes não sabiam que tipo de leite estavam a beber.

Muitas pessoas que acreditam ser “intolerantes à lactose” podem, na verdade, ser apenas sensíveis à beta-caseína A1. Estudos mais alargados serão agora necessários para comprovar se realmente o leite A2 é mais vantajoso para a digestão.


Genética em ação

A genética da beta-caseína não encaixa na dualidade dominante/recessiva. As vacas com duas cópias do gene A1 irão produzir apenas leite com beta-caseína A1, enquanto aquelas com duas cópias do gene A2 irão produzir apenas A2. Vacas que herdem A1 a partir de um dos progenitores e A2 a partir do segundo produzem leite com uma mistura de beta-caseína A1 e A2. Por esta razão, as vacas devem ser homozigóticas para A2 para serem consideradas produtoras de leite "A2".

A frequência do alelo A2 parece ser de cerca de 60% em Holsteins. Isto significa que cerca de 36% da raça Holstein produz leite A2, 48 por cento produz uma mistura de leite com A1 e A2 e 16% a produz leite exclusivamente com A1. Outras raças têm uma proporção mais elevada de A2. Julga-se que a raça Guernsey tenha uma frequência mais alta do alelo A2 aproximando-se dos 90%. Com o objetivo de capitalizar mais plenamente esta sua vantagem, as associações da raça Guernsey de alguns países não permitem que touros homozigóticos para A1 sejam reprodutores.

Canais de marketing

Produtos lácteos denominados A2 são licenciados e comercializado nos Estados Unidos pela Companhia a2 Milk com base na Nova Zelândia. A empresa possui a patente para o teste A2 e, por esta razão, os produtores não podem simplesmente testar as suas vacas e comercializar o seu próprio leite como A2, sendo necessário contactar a empresa para obter direitos de licença. Isto cria uma vantagem para alguns criadores de Guernsey que são capazes de colocar leite deste tipo no mercado baseados na frequência elevada de leite A2 na raça sem ser preciso recorrer a testes. A Companhia a2 Milk recolhe o seu leite a partir de muitos tipos diferentes de explorações agrícolas, incluindo grandes efetivos de raça Holstein que têm em ordenha vacas homozigóticas para A2 como uma linha à parte. Atualmente, cerca de 2 litros de leite A2 são vendidos por um preço semelhante a 2 litros de leite orgânico.

Os esforços de marketing da a2 Milk para entrar nos Estados Unidos começaram em 2015, mas estão já muito ativos na Austrália e Nova Zelândia há mais de uma década. A companhia a2 Milk representa atualmente cerca de 9% do mercado de leite no retalho australiano. O leite fluido é, atualmente, o produto A2 primário, mas as fórmulas infantis e outros produtos começam já a entrar no mercado.

É certo que para os produtores o caminho do leite A2 é cheio de incertezas. Nenhum produtor quer ignorar preocupações legítimas de saúde humana mas, por outro lado, não podem dar-se ao luxo de mudar constantemente a direção do seu programa de seleção genética para ir ao encontro de alegações ainda ténues.

Concluindo, parece aconselhável levar em conta o fator A2 no programa de seleção do seu efetivo. Não será necessário eliminar os touros não-A2, no entanto, se dois touros têm características semelhantes fará sentido valorizar e selecionar aquele que é A2 em detrimento de um que seja A1. Elevar de forma estável e firme a frequência de A2 irá causar menos perturbações no seu efetivo se as mudanças no mercado de leite seguirem essa direção no futuro.


Adaptado pela Equipa MilkPoint a partir do original publicado em Agosto de 2016 por Chad Dechow em Hoard`s Dairyman.